Mais precariedade, mais insegurança e mais violência

Matéria publicada originalmente em 05 de fevereiro de 2021, no RTVE.es. Texto por Ebbaba Hameidal, aqui. Tradução Fêmea Brava. As marcações em negrito seguem as da publicação original.

Imagem: Fêmea Brava

Traduzi esse texto em busca de alguma matéria que tratasse com responsabilidade — e não com glamurização — a vida das mulheres em situação de prostituição durante a pandemia de coronavírus. Embora pareça óbvio que essas mulheres estejam profundamente afetadas por essa realidade, as matérias que encontrava pareciam tratar como “escolhas” a permanência dessas mulheres na efetivação dessas práticas. Este tipo de discurso é cada dia mais inaceitável. É nossa responsabilidade tratar…


Texto de Jessica Gamboa Valdés, diponível aqui. Tradução Fêmea Brava

Imagem: Fêmea Brava

Estas breves reflexões surgem a partir da observação das tensões que se produzem a propósito da aprovação da Lei do Aborto na Argentina*

É certo que o aborto acaba sendo um ganho de liberdade civil para uma mulher, em uma civilização sustentada pelo contrato sexual-social e, ao mesmo tempo, uma questão de sobrevivência para todas as meninas e mulheres que, diariamente, experimentam a violência sexual por parte dos homens em suas casas, nas ruas, no trabalho, escolas e universidades… o sistema prostituinte.

Porém, quando se fala ou discute sobre o…


Precisamos estar atentas a como a rivalidade está minando o movimento de mulheres

Texto escrito em co-autoria com Selvática

Imagem: Fêmea Brava

Como mulheres vivendo em um sistema patriarcal, muitas vezes sentimos a necessidade de formar grupos exclusivos de mulheres. Seja para que possamos nos organizar politicamente para discutir, entender e desenvolver estratégias para a luta contra nossa opressão sem a interferência de homens; seja para que encontremos espaços minimamente seguros, onde não nos sintamos física e psicologicamente ameaçadas. Isso também serve para que possamos nos expressar mais livremente em atividades onde usualmente somos apagadas e deixadas de lado. Afinal, na sociedade em que vivemos, são eles que, na grande maioria das vezes, são priorizados. …


Ou, como a feminilidade é uma estratégia masculina de dominação sexual

Imagem: Fêmea Brava

Quando falamos em “Feminilidade”, as pessoas tendem a imaginar as mesmas características — doçura, delicadeza, gentileza, compreensão. Se perguntamos como uma “mulher feminina” se veste, a resposta também não varia — saias justas, saltos, unhas pintadas, maquiagem, cabelo longo. Somos nós as criadas para nos vestir e comportar por meio da feminilidade, que nos é ensinada e imposta por toda a nossa vida. Por isso, somos levadas a crer que esta maneira de agir é inata, ou seja, que nascemos assim.

Só que a feminilidade é uma estratégia patriarcal para produzir um comportamento específico em mulheres, para a docilidade e…


O que a naturalização da violência e a naturalização dos papéis sexuais têm em comum?

Imagem: Fêmea Brava

Quando eu estudava jornalismo policial e criminalização da pobreza, costumava dizer que a Violência é uma Linguagem. Dizia isso porque é muito evidente que alguns acontecimentos impactam mais a alguns que a outros: enquanto parte da população fica impressionada com as fotos noticiadas de pessoas encontradas mortas, outra parte diariamente pula cadáveres deixados em seus portões de casa, para conseguir chegar na escola e no trabalho. …


O Plano Nacional de Prevenção ao Risco Sexual Precoce e o debate que precisa ser feito

Com contribuições de Fúria Raiz

Imagem: Fêmea Brava

Logo no início de 2020, ouvimos falar sobre a elaboração do Plano Nacional de Prevenção ao Risco Sexual Precoce, um projeto que visa se integrar futuramente à Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência — desde 2019 realizada em fevereiro, com o objetivo de disseminar informações sobre medidas educativas que possam contribuir com a redução da incidência da gravidez na adolescência. …


Criminalização midiática e lesbofobia: o que as feministas têm a ver com isso?

Imagem: Fêmea Brava

Dia desses, mandei para um amigo uma manchete de um jornal assumidamente de esquerda, algo mais ou menos assim: “seguidor do presidente de extrema direita, o casal X e Y foi preso em flagrante por suspeitas de agressão ao filho adotivo”. Mesmo depois de anos estudando jornalismo e suas retóricas para vender notícia, ainda me impressiona a baixeza que manchetes de jornal podem atingir. Minha primeira reação foi questionar qual seria a relevância da informação sobre em quem o casal havia votado, e qual era a principal parte deste título: a agressão à criança ou o posicionamento político daquelas pessoas.


Texto original Anne Koedt, disponível aqui. Tradução fêmea brava.

Imagem: Fêmea Brava

O conteúdo a seguir é de uma entrevista gravada com uma mulher que falou sobre sua relação amorosa com outra mulher. Ambas, que solicitaram anonimato, apenas haviam tido relações heterossexuais; elas são feministas. A entrevista foi conduzida por Anne Koedt.

Pergunta: Você disse que vocês eram amigas por um tempo antes de perceberem que estavam atraídas uma pela outra. Como você tomou conhecimento da atração?
Resposta: Eu não estava consciente até, numa noite, quando estávamos juntas e tudo isso meio que explodiu. Mas, olhando para trás, sempre houve sinais, apenas os reprimíamos.
Por exemplo, eu me lembro de uma noite — nós…


Instituições masculinas e a busca pela emancipação de mulheres

Há uns anos, tive o prazer de tomar uma cerveja com uma mulher brilhante e inspiradora, Jehanne Hulsman, advogada de direitos humanos e filha de Louk Hulsman, um reconhecido abolicionista penal. Abolicionistas penais são pessoas que lutam pelo fim de todas as instituições de privação de liberdade — como penitenciárias e manicômios. Conversamos um pouco e ela me contou umas histórias sobre resolução de conflitos interpessoais. Na época, eu trabalhava numa organização feminista que fazia oficinas em associações de moradores, em escolas públicas, e onde quer que nos chamassem. …


Não se engane: as instituições masculinas não nos salvarão

uma adolescente desapareceu em 21 de outubro do ano passado, depois de sair de uma festa em um sítio em Mogi das Cruzes (SP). segundo as investigações, ela ia andando em direção ao município vizinho, quando encontrou um motorista que a informou que estava no caminho errado para casa, e ofereceu carona até a rodoviária, onde ela poderia pegar um ônibus. quando chegou lá, ela falou com o segurança do local, que ofereceu outra carona até em casa, e ela aceitou. …

Fêmea Brava

Feminista, jornalista, antipunitivista, questionadora, em luta constante pela libertação de todas as mulheres.

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